O tom do céu a esta hora em Feira de Santana. Dezenove graus em uma sexta-feira de pleno inverno, sete e vinte três e pela janela do ônibus: cão feliz estampado na propaganda no baú do caminhão. E o verde da placa com o nome do lugar. Em mais uma parada, passageiro sobe e o cobrador não diz claramente se três ou treze o valor do bilhete, e me volto à janela: uma borracharia, outdoor que não me deixa esquecer da volta de Jesus. Na poltrona do corredor se assenta uma moça. Antes pediu licença. Havia escolhido aquele banco do meu lado olhando-me rapidamente nos olhos; concenti positivamente com a cabeça. E vi antenas de TV, e campos de várzea enlameados e muito verde e casinhas perdidas dentro do mato; trilhas pisotradas há décadas no mesmo lugar. Lábios sibilam coisas incompreensíveis, alguém tosse numa das poltronas logo atrás e o ônibus para. A moça do meu lado chegara ao seu distino. Na curva, na baixada, vi as torres da igreja e outras de ferro e palmeiras imperiais. Bois, cavalos e casinhas de duas águas completam a cena na ventana de magnífica vista. Sete e quarenta e oito. Quarenta e nove. E vai descendo o buzão na direção da Pedra do Cavalo. Sentí-me entorpecido pelo verde do Recôncavo e nem vi a entrada de Muritiba. Acordei já na rodoviária, ouvindo alguém me chamar de "senhor" e a me informar que chegamos.
L.M.
L.M.
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