Sair em busca de Atlântidas

A resistência é o pior retrocesso. Quem resiste afinal é muito conservador. Já quem insiste pode insistir por algo novo, sempre novo, porém não persistente, jamais irredutível; não mais que inocente afã revolucionário. Só tem que o resistente é como uma pedra, não aquela pedra do poema de Drummond que nos permite virar a página. É inabalável, e considera-se a imagem mais que perfeita (do mais belo) do que vê, si próprio. Aí reside o problema. O mundo é cá fora.  Pra verdadeiramente -- brilhar -- precisava de se libertar ontologicamente, no sentido geral, metafísico,  expulsando o ente invasor que vive a os entorpecer, deixando-os deslumbrados por abstrato mundo ideal. E permitir que o mundo vá, indo, sendo as coisas como são: renováveis, no sentido de entusiasmo humano, passageiro, fugaz. Viajar desbravando tudo, e só depois por no papel; jamais o contrário. É sair em busca de Atlântida e acabar por descobrir o Brasil. E de lá ir em outros lugares impossíveis, sempre novos, mesmo que habituados ao costume da geração mais antiga. Pra mudar um lugar, basta chegar; registrar o nome na lista de presentes, e ir embora (como os antigos portugueses). O mundo é o melhor possível. E nós, o melhor que temos conseguido.

L.M.

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