Velhinha de lenço amarelo e máscara obrigatória, antes de sentar-se pela segunda vez e por vezes quebrar pescoço num gostoso cochilo entrará distraída na sala de espera da Caixa; medidas de segurança sanitária têm tornado as agências ainda mais constrangedoras. Velhinha não viu escandalosa marcação de proibido no assento que preferira. Jovem do lado, de lentes grossas devido elevada miopia alertou sem sucesso, mesmo com dedo em riste o sinal de restrição. Então desceu ao queixo a máscara e lhe repetiu três vezes que não se podia sentar do seu lado, e sim uma cadeira depois. Velhinha, ainda sem compreender a censura, olhava fixo aqueles lábios acesos quando subitamente caiu das nuvens. De bate pronto mudou de cadeira e, envergonhada, parecia contar quantos lha observavam. Pensei, com meus botões, que a grosseria da moça foi, até, pedagógica e vigilante pela doutrina sanitária que nos salvará do micróbio desgraçado. O segurança acompanhou de longe, parado, com os polegares enfiados nas alças do colete, como fazem geralmente os guardas de plantão. Velhinha colocou a mão enrugada na frente da boca, por sobre a máscara sua; vi duas grossas alianças num único dedo. Ninguém riu graças a Deus. Quando chegou a vez, o guardinha, certamente a serviço de um anjo, cutucou-lhe no ombro e apontou para o sorriso nos olhos da moça do guichê 21. Despertei segundos antes da chamada eletrônica para a minha senha. Ora, eu também cochilei. Em volta outras pessoas, outros guardas como se noutro dia, novo plantão? Não me lembro de ouvir eco de meu nome, nem recebi cutucão. Acho que o guardinha prevaricou.
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