Um dia a mais é só mais um dia a menos. E vão passando assim: correndo, voando cada vez mais rápidos, como se fossem mais curtas as horas.
De repente alguém me veio à mente. Um rosto abandonado no galpão embolorado da memória. Ao mesmo tempo um vento frio do passado soprou pelos corredores da casa e me entregou a fatura da ingratidão.
Só tem que, como “bom” pecador arrasto, aos trapos e morta de sede, a carcaça do pudor que muge aquele nome. Se o futuro é incerto, o passado irretocável.
E ainda tem os afazeres. Preciso arrumar a cerca do quintal. Tem aquela carta pra responder; pagar a conta do armazém; cobrar do serviço público a lâmpada apagada na esquina.
Seguimos assim: corre ali, corre acolá, tirando os problemas da frente, ao menos até o fim; e chegaremos lá no último dia de todos os nossos dias, nem unzinho mais.
E aquele vento frio… Corre! Conserta já aquela vidraça que quebraste.
L. M.
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